Ligue agora via WhatsApp
Moeda
papel_dos_pais_2
Texto: Fabiola Salustiano 17/05/2019 0 Comment.

5 pontos que os pais devem saber para falar de sexualidade com seus filhos.

1) Existe uma “época certa” para começar a falar de sexo com os filhos?

Essa é a pergunta feita com maior frequência pelos pais, e a resposta é “sim e não”. Não ajudei, não é mesmo? Então… Existe sim uma época certa, porém ela não pode ser determinada cronologicamente, essa época depende de vários fatores, entre eles, a maturidade da criança, a capacidade que ela tem para absorver as informações e, principalmente, o conteúdo que essa criança “quer” saber sobre sexo.

O melhor a se fazer é responder especificamente o que perguntam, desde muito cedo (algumas perguntas surgem aos dois anos) a ansiedade maior é a do adulto, a criança está na época das descobertas e, às vezes, uma única resposta já a satisfaz, basta responder com naturalidade, acreditando que está promovendo saúde mental para a vida do seu filho (a). A educação sexual transmitida de forma saudável promove o elo de confiança que seu filho (a) tanto precisará quando as dúvidas reais aparecerem.

Quando essa comunicação não ocorre, a criança aprende a lidar com suas sensações da sua maneira, e isso é muito ruim, pois pode ser a porta de entrada para o abuso sexual ou para pensamentos de medo e vergonha ligados à sua sexualidade.

2) Por onde essa conversa deve começar? O que as crianças precisam saber em primeiro lugar?

Se tudo ocorrer bem, você falará com seu filho sobre sexualidade já na primeira infância. Sim, quando ela apertar a “pepeca” no seu joelho repetidamente ou quando ele sacudir o “pipi” até ficar ereto. Mas, infelizmente, a maioria dos pais ignoram ou punem esses comportamentos, quando o ideal a ser feito é apresentar o que chamamos de “evento privado” a essa criança.

Exemplo:

Está bom isso que você está fazendo no joelho da mamãe? Então, é bom mesmo! Mamãe e papai também acham. Mas você já viu mamãe e papai fazendo isso na sala? Esse é um momento de cada um, um momento íntimo, um carinho que você faz em você e que é bom, mas como é só seu, ele acontece quando você estiver sozinho (a) com você mesmo (a), e o mais importante é que só você pode fazer seu “momento”, mais ninguém, e caso isso aconteça conte para mamãe ou alguém em que confie, pois não é certo, mesmo que seja uma criança ou adulto.

Veja bem, isso é apenas um exemplo, mas vejamos quantas coisas boas essa conversa deu a essa criança. Primeiramente, o que ela sente é válido! Mamãe e papai sentem também, ou seja, o ambiente não a invalidará.

Em segundo lugar, prevenção de abuso sexual, com seu filho (a) conhecendo o próprio corpo, ele (a) saberá como agir quando alguém passar da regra do “seu próprio momento” e, o mais importante, estará realizando uma linha de comunicação dessa família.

As crianças precisam saber que o toque é um dos 5 sentidos e que “tudo bem” elas se sentirem bem quando se tocam, essa é a primeira regra da educação sexual, e pode ser determinante para a sexualidade que ela terá na vida adulta.

3) Há distinção entre meninos e meninas quando se trata de conteúdo, sobre o que falar?

Não existe uma maneira de falar para meninos e meninas, mesmo porque, se a abordagem da masturbação (relato acima) foi natural, essa criança sabe que sua sexualidade é um conjunto de fatores. Entre eles: estímulos sensoriais, mentais e biológicos. Mas se esse percurso natural não foi percorrido, nos deparamos com algumas dificuldades acerca de meninos e meninas. Meninos, por exemplo, ficam PHD’s em sites pornôs e acreditam que aquele sexo é o ideal. Ele inicia uma construção de toda sua fantasia sexual apegado a imagens de um sexo, em que muitas vezes, só é bom para masturbação, muitos superam essa fase, mas alguns passam a vida recorrendo a esses repertórios para atingir o prazer.  
Com uma abertura saudável com os pais, ele pode ser informado de que o visual dos filmes é muito bom, mas que as relações não são filmes e que usar sua própria imaginação seria muito mais rico para ele e para suas relações futuras.

Já as meninas tem o mundo nas costas, enquanto meninos se trancam nos banheiros por horas e os pais fazem piadas, as meninas não falam de masturbação com suas amigas, nem com os seus pais e nem mesmo com elas mesmas. O número de mulheres adultas que nunca se masturbaram chega a 75%, por outro lado em relações heterossexuais, a mulher é a principal responsável pela contracepção, mais uma carga para uma adolescente que só deveria ser livre e informada acerca de seu direito ao prazer.

A psicoeducação saudável decorre sobre a sexualidade de meninos e meninas, pois, independente da orientação sexual esse deve ser o início do conhecimento do corpo humano, mesmo porque há muito mais coisas que esses jovens vão descobrir.

4) Muitos pais temem a iniciação sexual de seus filhos, especialmente quando se trata de meninas. Como lidar com isso?

Essa é uma questão preocupante, e não é pela relação sexual, e sim porque muitos jovens procuram sexo por motivos que não tem nada a ver com sexualidade. Desse contexto vem a importância do autoconhecimento, da masturbação e da liberdade de comunicação. Somente dar camisinha não adianta, e como eu disse acima, ninguém nos ensinou a fazer sexo. Por isso devemos falar de uma maneira clara e sem tabus com nossos jovens. Caso haja alguma dificuldade em falar por algum desconforto, procure um profissional da área, existem livros especializados no tema, seus filhos se sentirão amados e não punidos.

Muitos adolescentes iniciam suas primeiras relações por carência de contato físico, a sexualidade pode lhe dar um pouco disso, mas não preencherá sua carência de afeto. Alguns jovens se sentem pertencentes a um determinado grupo quando “não são mais virjões”, mas isso se dá porque houve falha lá atrás, naquela comunicação acerca do seu autoconhecimento e da validação de suas emoções e sensações.

5) Quando levar ao médico pela primeira vez para tratar a sexualidade?

Essa é outra lástima, fruto de várias gerações que não falavam de sexo de forma clara, nossos órgãos sexuais são somente para fazer sexo?

Não, nenhum dos nossos genitais são exclusivos para o sexo, ou seja, quando começam a ocorrer as mudanças advindas da puberdade já é o momento dessa criança ou adolescente ir a um médico especializado, não porque ela vai ter relações sexuais, mas porque ela cresceu. Muitos adultos têm disfunções sexuais provenientes da falta de comunicação com a rede de apoio na infância, por exemplo: alguns adultos sentem dor e tem torções penianas e nem sabem que possuem fimose.

No caso das mulheres, é muito comum que mulheres virgens possam vir a ter endometriose, ou seja, não existe médico que só é procurado para quando o filho (a) vai ter relações sexuais.

Enfim, termino esse texto com o seguinte dizer:

Pais, perdoem-se…

Falar sobre sexualidade é naturalmente delicado, mas a dificuldade que temos é porque na maioria das vezes, não nos foi dito quando éramos da idade deles, e quando ouvíamos algo a respeito era para nos amedrontar e nos deixar atentos a todas as possibilidades de prevenções que existiam.

E o prazer, alguém fala do prazer do sexo? Não.

Costumo dizer que sexo é tão importante para a humanidade que sobreviveu aos humanos…

Fazemos parte das muitas gerações que trancaram a sexualidade dentro de quatro paredes bem obscuras, mas somos também a geração que quer mudar isso, por isso repito, se perdoem e peçam ajuda, ajuda profissional, de livros, sites confiáveis, enfim, nossos filhos terão mais informações e quem sabe nossos netos já venham com a clareza de que “somos seres sexuais” e que por mais incrível que possa ser, não nascemos de ovos, nascemos do sexo.

Deixe uma mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ir para o topo
X